Apresentação

Desenvolvimento em Debate é uma revista indexada de publicação periódica editada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento. A revista publica artigos originais de pesquisa, ensaios e resenhas relacionados com a temática do desenvolvimento socio-econômico. Énfase é dada a trabalhos que analizam o papel do Estado e das instituições no desenvolvimento, políticas públicas setoriais e estratégias de desenvolvimento, o papel da geopolítica na dinâmica econômica e sustentabilidade ambiental, como também a trabalhos que analisam casos nacionais ou com perspectiva comparada, em particular de países da América Latina. Para tal fim, Desenvolvimento em Debate é publicada três vezes por ano e aceita trabalhos em português, espanhol e inglês. Pelo menos um dos autores deve ter titulação mínima de mestre.

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ISSN: 2176-9257 (Online) – Frequência: 3 números por ano

Carta do Editores – v.8, n.1, 2020

Capa: Desenvolvimento em Debate - v.8, n.1, janeiro-abril 2020Este número da Desenvolvimento em Debate apresenta uma série de artigos que analisam diferentes políticas setoriais. O artigo que abre o volume, A formação do complexo florestal celulósico brasileiro, indaga as condições que favoreceram a utilização do eucalipto como matéria-prima principal para a indústria de papel e celulose no Brasil, processo que representou uma guinada na indústria brasileira deste segmento. A autora afirma que o setor se transformou de um conjunto de pequenas fábricas em um complexo agroindustrial, com uma cadeia produtiva articulada, capaz de produzir a sua matéria-prima, antes, majoritariamente importada. Aquino afirma que o fator responsável da expansão do setor foi a “(...) articulação entre interesses agrários e industriais, mediados pelo Estado, que esteve e se mantém vinculado ao mesmo, ora como orquestrador de interesses; ora como investidor; e por vezes como promotor de políticas públicas”. Para fundamentar a reflexão, realizou-se pesquisa bibliográfica e análise de documentos relacionados ao aparato legal destinado ao setor no Brasil.

Na sequência, Francisco José Mendes Duarte, autor do artigo O liberal desenvolvimentismo da FIESP nos governos do PT: a construção pragmática de uma agenda político-econômica analisa a agenda política e econômica da Federação de Industrias do Estado de São Paulo tomando como ponto de partida “(...) a luta em torno do contestável impeachment de Dilma Rousseff” e o posicionamento durante o governo Témer. Duarte mostra que a Fiesp passou de apoiar algumas das medidas econômicas do governo de Rousseff, por entender que estas poderiam reverter as elevadas taxas de juros e a apreciação cambial que reduziam a competitividade da indústria, a apoiar o programa Uma Ponte para o Futuro como oportunidade para avançar com grandes reforams liberais. Assim, o artigo adota como hipótese que o empresariado industrial busca construir alianças para promover uma agenda de desenvolvimento, “(...) mas não hesita em rompê-las, com certa autonomia e enorme pragmatismo, diante dos constrangimentos políticos e econômicos que se impõem ao Brasil”.

A seguir, o  artigo A Embrapa e a formação de seus pesquisadores: objetivo, processo e perfil alcançado, de Alex Mengel estuda o papel da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária como um como fator decisivo para a estruturação da pesquisa agropecuária no  Brasil, a partir dos anos 1970, e a importância do quadro de pesquisadores da organização, com “(...) elemento fundamental para a explicação de sua trajetória institucional”. Para isso, o artigo se debruça no processo que gerou a criação da Embrapa e sua posterior consolidação, assim como no impacto da formação do quado profissional da empresa. Mengel utiliza entrevistas com atores estratégicos para demostrar a intenção dos idealizadores e dirigentes da Embrapa, de modificar a formação acadêmica dos pesquisadores com o intuito de  atingir os objetivos pensados para a empresa. Assim, a política de seleção e formação da Embrapa foi pensada de modo a “(...) garantir que seus profissionais tivessem valores semelhantes, que falassem a mesma linguagem, que entendessem a agricultura e a realidade brasileira da mesma maneira e, assim, que concordassem em atuar no mesmo sentido”.

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